Sexta-feira, Maio 23, 2008

Pernas para que te quero

Sempre achei Freud um canastrão. Como muita gente boa e inteligente, acho que a psicanálise descambou de maneira irremediável em bobagens como a auto-ajuda, além de tolices que lotam o setor de recursos humanos das grandes empresas, que nos fazem desenhar casinhas para decidirem se somos ambiciosos num ponto ideal ou solitários.

Veja um exemplo. O que Freud, um judeu que morava na Áustria do século 20, entende de pernas? Diz ele que gente que quem presta atenção nas pernas revela que os pais eram opressores, pois a criança não olhava para cima, mas para as pernas deles. Que bobagem.

Eu, brasileiro do país do futebol, adoro pernas, principalmente se são musculosas e cabeludas. Adoro as bundinhas resultado da nossa mestiçagem e da nossa alimentação. Aqui os homens ficam de short ao sol, malhando as pernas todos os dias correndo quilômetros em campos de futebol.

Freud tinha uma filha sapa que ele não aceitava e provavelmente nunca viu belas pernas na vida, pois vivia numa sociedade em que tanto homens e mulheres vestiam-se excessivamente da cabeça aos pés.

Pernas não oprimem ninguém.

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Sábado, Maio 17, 2008

Como vinho

Alguns homens, como o vinho, ficam melhores depois de envelhecidos.

Segunda-feira, Maio 05, 2008

O novo ideal de perfeição

Exemplo de deus grego dos tempos modernos.

Terça-feira, Abril 15, 2008

Pelinhos

A beleza é efêmera e pode estar nos pequenos detalhes.

Quarta-feira, Abril 02, 2008

Pior para você


Fico tentando me lembrar das piores coisas que me aconteceram por ser gay. Engraçado. Desconhecidos que me chamaram de viado na rua foram poucas vezes. Era dos conhecidos que vinha a maior parte do preconceito.

O preconceito se manifesta muito sutilmente. São comentários pequenos e maldosos, com o objetivo de ferir. Alguns escapam sem querer. O preconceito grosseiro, direto, é raro. Primos, tios e tias são infinitamente mais perigosos e daninhos do que ignorantes homofóbicos da rua.

Você é obrigado a desenvolver uma espécie de desconfiômetro para fugir de onde há perigo. Começa a eleger os inimigos, a tomar cuidado com o que diz. Distancia-se, não vai mais nas festas de família. Se é obrigado a ir, chega atrasado, mal conversa, é o primeiro a ir embora, não diz nada que possa comprometer.

E, claro, vai arranjar sua turma. Fica mais fácil e divertido. Todo mundo comenta, todo mundo fofoca – e é, sinceramente, uma sensação excelente. Ser mal visto é uma delícia. Te dá forças para seguir adianta, uma causa para lutar, uma justificativa para viver. Nesse ponto você já era fã da Madonna. Tinha um universo próprio. E, claro, já reparava nas pernas do gostosão do bairro para bater aquela punhetinha em casa.

Sempre tive um pensamento que me guiou pela vida afora e ajudou bastante. Sempre acreditei que preconceito é ruim de receber, mas é muito pior para quem o interiorizou e o manifesta. Assim, o melhor é ter pena de quem tem preconceito. É uma pessoa limitada e pobre.

Nunca tentei convencer ninguém de que ser gay é normal. É meu lado cínico e até perverso. Prefiro condenar aquele infeliz às sombras tenebrosas da ignorância. Vê-la preconceituosa é minha maior vingança. O preconceito, como todo mal, sempre se volta para a pessoa.

Sábado, Março 29, 2008

Sonho

Numa primavera feliz, encontrei o homem da minha vida. Ele era simplesmente tudo que sempre quis para mim: maduro (37 anos), médico, japonês (adoro!), relativamente culto, masculino, inteligente, bom filho, carinhoso, gentil, educado, passivo etc. Começamos a namorar depois de três meses de muita felicidade. Nunca deu certo nossa relação. Sete meses depois, terminamos.

Brigávamos por tudo, para tudo. Ele dizia que eu só o queria na horizontal, que fazíamos sexo demais. Minha turma de amigos não gostava dele, pois era muito quadrado, um tanto bobo e, para alguns, meio feinho (ok, não era lá nenhuma coisa de enlouquecer, mas para mim era tudo).

Ele gostava de viajar nos fins de semana, eu tinha horror de sair de São Paulo no finde, ainda mais para ir para chácaras friorentas na Serra da Cantareira ou praias lotadas do litoral norte. Nunca chegou no horário em todos os nossos encontros. Uma vez, esqueceu-se de que marcara de ir ao cinema comigo. Tinha horror de ir ao teatro.

Ele beijava mal. Fumava maconha e começava a fazer gracinhas amarelas – tomei birra de beck a partir daí. Demorava até uma hora no banho, fato que nos fazia chegar atrasados em tudo. Comprava revistas femininas nacionais e importadas, sabia tudo que rolava no mundo da moda, o nome das modelos, para quem fez campanha, desfilou onde etc.

Para meu horror absoluto, achava a Julia Roberts uma atriz.

Ele terminou uma vez por telefone. Voltamos depois que ele pediu desculpas. Três semanas mais tarde, terminou de novo comigo, depois de mais uma crise de ciúmes – sempre achei gente ciumenta meio ridícula, mas ciúme de mim era o fim da picada. As únicas pessoas que olham para mim na rua são mendigos pedindo esmolas ou homofóbicos, que em geral gritam coisas como “ô viado filho da puta”. Mais do que isso, só pedido de horas, cigarro (que não fumo) e informação de onde ficam os lugares.

Por fim, depois de ele me largar na porta de dois teatros sucessivamente (marcava de ir e não aparecia), dando desculpas esfarrapadas, eu terminei e nunca mais nos falamos.
Como diria um amigo meu: nunca estamos preparados para aquilos que mais desejamos.

Segunda-feira, Março 24, 2008

Só tristeza nessa vida

Vi um filme, Ladra e sedutora, baseado num roteiro original de François Truffaut, sobre uma menina ladra que só se dava mal e fiquei me lembrando de minha infância, decididamente não muito feliz, pobre, em que também roubei algumas coisas (pequenas, no supermercado, geralmente doces) e, como a menina do filme, também apanhei bastante dos meus pais.

Minha infância foi relativamente tranqüila se comparada à terrível adolescência que viria pela frente. Quando meus pais descobriram que eu era gay, e eles talvez ficaram sabendo disso antes de mim, começou a indiferença do meu pai e a cobrança implacável da minha mãe. A partir daí foram só recriminações, críticas, xingamentos e, o mais abominável de todos, o tanto que eles riam de mim, o tanto que desfaziam de mim, que me desprezavam. Não estranha eu não ser nem um pouco ligado a eles hoje.

Da minha vida de menino que não gostava de futebol (na verdade, odiava), brincava de boneca, que preferia ouvir as conversas das tias e primas, ficou na memória as surras que tomei dos meus pais. Uma vez perdi chinelos novos. Sempre fui distraído, de perder chaves, roupas etc. Meu pai, para dar a famosa lição, me sentou a mão e me trancou no armário da cozinha por umas três horas. Enquanto me batia, xingava palavrões horríveis.

A pior da minha mãe não me lembro do porquê, só sei que tive que correr de casa com ela a me seguir com uma corda nas mãos. Como meus pais adoram fazer show na frente dos outros, mesmo anos depois vizinhos e parentes se recordavam da cena. Não sei o que era mais dolorido, o espancamento em si ou a freqüente lembrança do fato, de maneira sarcástica, por todos.

Meu pai me obrigou a fazer esporte, depois me proibiu de andar com as minhas tias. Minha mãe me obrigou a trabalhar com meu pai porque não dava conta de mim – segundo ela, eu precisava estar mais “com homens”. Minha irmã se aproveitava e se divertia, me chamava de viado etc.

Só tristeza nessa vida. Por isso não conto nada para eles da minha vida afetiva, amorosa, sexual. Tenho certeza de que, na primeira oportunidade, vão se aproveitar para tirar proveito para me humilhar uma vez mais. E, claro, vão contar para todos na família, fazer fofoca, meus inimigos íntimos.

Por isso minto, minto descaradamente. Sou cínico. Faço ironias maldosas, mantenho sempre uma distância à beira do desprezo (aprendi bem com eles) e nunca, nunca vão saber nada de feliz que aconteceu na minha vida. Não os perdôo, nem nunca vou perdoar. Infernizar a vida de um ser humano tem seu preço, que o rancor vai para sempre tornar impagável.

Domingo, Dezembro 02, 2007

O guia da marrom esperta

Um guia pra você saber onde encontrar namorado e o que esperar dele.

The Week
Nomes prováveis: Willian, Guilherme, Ricardo
Roupa: Sem camisa
Primeira transa: No matinho do deck
Nível Social: Estudado, mas come peru e arrota caviar
Passeio preferido do casal: A academia
Tempo estimado de namoro: No máximo um verão, ou o tempo que o ciclo da bomba durar
Música que ele ouve: Tribal pesaaaado
Onde o namoro vai terminar: Ele internado com hepatite por causa das bombas

Bailão ou Cantho
Nomes prováveis: Manuel, Orlando, Osvaldo
Roupa: Camisa pólo, calça social e sapato
Primeira transa: Vai demorar, o pinto não sobe com tanta frequência
Nível Social: Rico, na seca, pagava michês. Você será tratada como uma rainha, coberta de jóias. Ixalá!
Passeio preferido do casal: Restaurantes que existem há mais de 40 anos
Tempo estimado de namoro: Por ele, pro resto da vida. Não vai dar tempo de aparecer mais alguém.
Música que ele ouve: Românticas (Cacuras adoram chamar música pop lenta de "românticas")
Onde o namoro vai terminar: Você no velório dele decidindo o testamento

Disponível, Manhunt, Gaydar
Nomes prováveis: Pauzão23, Passivinho_guloso, Gatosarado_moema
Roupa: Faz diferença?
Primeira transa: Em alguns minutos, dependendo da distância e do trânsito
Nível Social: Sempre são ricos, mas nem sequer tem local pra uma foda
Passeio preferido do casal: Passear pela Internet
Tempo estimado de namoro: Horas
Música que ele ouve: Seus próprios MP3
Onde o namoro vai terminar: Cada um criando um novo perfil no mesmo site

Chill Out do Beto Salsicha (Chill Out Confusion)
Nomes prováveis: Nome? Ele não lembra o próprio nome.
Roupa: Suja e suada, afinal, ele está vindo de três outras festas (o chill out é no domingo de manhã, mas ele está na balada desde quinta-feira)
Primeira transa: Depende. Se ele ainda tiver GHB, vai ali mesmo. Se ele só tiver mais balas, o pau não vai subir nunca.
Nível Social: Cheio de dívidas. Gasta todo dinheiro em baladas e colocação.
Passeio preferido do casal: Baladas
Tempo estimado de namoro: Toda noite ou dia que se encontrarem tortos na balada. Vão beijar, ficar, mas nenhum lembra o nome do outro (nem o próprio)
Música que ele ouve: A que faz a bala bater
Onde o namoro vai terminar: Os dois indo para uma clínica de desintoxicação junto com Britney e Lindsay Lohan

Parque do Ibirapuera a noite
Nomes prováveis: Jandeilson, Claudinei, Robivaldo
Roupa: A que ele estava usando para trabalhar
Primeira transa: Oras, no próprio parque!
Nível Social: Trabalhador Operacional
Passeio preferido do casal: O Parque! Duh!!!
Tempo estimado de namoro: Até a meia-noite, quando o portão principal fecha.
Música que ele ouve: Forró, pagode, Calypso (sim, Calypso é um gênero musical a parte)
Onde o namoro vai terminar: Você comendo churrasco de acém, tomando cerveja Cintra em copo americano, em cima de uma laje no Jardim Selma, e ele jurando chamar um justiceiro pra te matar se você contar pra "mulé" dele

Tunnel
Nomes prováveis: Natallie, Michelly, Dominyque
Roupa: Fashion... fashion até demais.
Primeira transa: Nos MHOtéis da Rego Freitas ou Major Sertório
Nível Social: Pobrinha, bem pobrinha.
Passeio preferido do casal: Habib's, Mc Donalds, Largo do Arouche
Tempo estimado de namoro: De 3 em 3 meses (poc-pocs adoram ter pitis esporádicos)
Música que ele ouve: Drag Hits, Drag Music, Drag Songs
Onde o namoro vai terminar: Ela dando um escândalo na portaria do seu prédio

Bubu
Nomes prováveis: Cleiton, Cleverson, Clayson
Roupa: Baby look mamãe sou gay
Primeira transa: Uns dois, três dias depois
Nível Social: Esforçada. Cursou supletivo no Instituto Universal e já está no 2º estágio do Yázigi
Passeio preferido do casal: Cinema, Teatro baratinho, Shopping (aquele monte de programinha que rolam sempre quando a gente não tem nada mais interessante pra fazer)
Tempo estimado de namoro: Uns 3 meses, no máximo!
Música que ele ouve: Eclética, menos pagode, forró, axé e sertanejo
Onde o namoro vai terminar: Os dois se reencontrando na Bubu, pois quem vai lá, vai sempre.

Domingo, Novembro 25, 2007

Axilas

Lembro-me de que, quando comecei a me interessar por homens, isso lá no início da adolescência, pelos 11 ou 12 anos, o que mais me atraía eram as axilas, em especial dos caras que estavam começando a crescer os primeiros pêlos - vai entender.

Quando, depois da aula, os garotos se reuniam para jogar futebol (o ibope local era alto), eu ficava de olho era quando eles erguiam os braços e tchan!. Se de camiseta, era mais difícil de ver, a não ser que fosse pequena e apertadinha ou bem larga, que desse para ver pelo debaixo da manga.

As outras beeshas gostavam da bunda, das pernas grossas cabeludas, barba rala por fazer, das malas que escapavam do short (sou da época em que homem usava short, não essas quilómetricas bermudas de hoje), dos ombros largos, dos pêlos no peito - engraçado, a barriga tanquinho nunca era mencionada, isso é coisa dos anos 90. Alguns ainda mais bobos do que eu gostavam de escutar o barulho do mijo, se forte, generoso, másculo. Mais singelo, eu ficava mesmo era com os sovacos cabeludos.

Como os caras foram ficando cada vez mais musculosos, a quantidade de cabelo foi diminuindo, passou-se a discutir o quão fundo deveria ser uma axila de uma cara malhado, os que têm uma espécie de veia saliente são os mais afortunados, a "asa", a "saboneteira" etc.

Enfim, falar de axilas masculinas dá para pano para manga.

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Sábado, Novembro 17, 2007

Atendendo a pedidos







Leonardo Vieria: agora com piercing nos mamilos

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Terça-feira, Novembro 13, 2007

Fantasiado de espartano

Domingo, Outubro 14, 2007

Mastigando Nazarian

A beleza descomunal do escritor Santiago Nazarian.

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Segunda-feira, Outubro 08, 2007

Ficando lindo


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Domingo, Julho 01, 2007


Sexta-feira, Junho 15, 2007

Billy Crudup venceu o Tony de melhor ator de teatro numa peça por seu papel como o crítico literário Vissarion Belinsky em O custo da utopia, escrita por Tom Sttopard, em cartaz na Broadway.

No perfil dele no jornal americano The New York Times, a jornalista Rebecca Flint disse que ele tem um dos mais bem definidos maxilares do mundo ocidental, além de alto e magro.
Antes de fazer papéis tolos no cinema, pelos quais ele é mais conhecido mas nem de longe lhe fazem jus ao talento, Crudup atuou em Arcadia, também do Stoppard, e tem sólida carreira teatral que agora chega ao máximo com o prêmio Tony.

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Quarta-feira, Junho 13, 2007

Corpo de sonho

Ele não pára de crescer!

Terça-feira, Junho 05, 2007

Com camisa

Leio que, entre as inúmeras festas programadas para a Parada Gay em São Paulo, há uma na casa de rock Clash! para os "com-camisa". Chama-se Close!.

A Clash! passou o ano todo se passando por hetera e rocker. Foi um fiasco. Agora quer agradar aos gays que rejeitou, mas ainda assim só para os que não tiram a camisa.

Que preconceito. Gay com camisa é uma tristeza só, uma desolação. De camisa eles vão querer falar, o que é um desastre na maioria das vezes.

Segunda-feira, Maio 21, 2007

Ombros

Queria ter ombros assim.

Quinta-feira, Maio 17, 2007

For exportation

A famosa "qualidade" das telenovelas brasileiras, que tanto fazem sucesso no exterior, pode ser vista na fota acima: Sérgio Abreu, Sérgio Marrone e Carlos Cassagrande, três de nossos "atores".

Quarta-feira, Maio 16, 2007

Beleza clássica

James Franco está virando homem, um belo homem, como se percebe em Homem-Aranha 3. Aqui ele numa das muitas cenas sem camisas de Tristão e Isolda.

Terça-feira, Abril 17, 2007

Desconfiança

Comecei a desconfiar do meu corpo no início da adolescência. A minha referência corporal eram os rapazes que estudavam no colégio comigo. Lá pela sétima série, aos 13 anos, eles começaram a ter pêlos. Eu não. Vieram as barbas. Depois os músculos. E eu, nada. Todos eram e pareciam mais fortes que eu. Na ginástica, aquela negação. Ninguém me chamava para participar dos times.

Daí eles começaram a ficar com as meninas e deram início ao tráfico de revistas playboys. Eu tinha pânico absoluto de ver uma mulher pelada na minha frente - mas só mais tarde iria entender os motivos. Os manos falavam de masturbação sem constrangimento. Eles já ejaculavam. Eu, sempre ficava para trás.

Nada de cabelo no peito. Só tinha um bigodinho minúsculo. Minha voz era fina. Meus cabelos debaixo do braço só foram nascer quase que no final da terceira série do colegial, quando ganhei meu primeiro prestobarba - que usei durante um ano ininterruptamente.

Não gostava de nadar no clube que meus pais tinham cota para não ficar sem camisa no meio de tantos outros caras mais desenvolvidos.

Só fui beijar uma mina, mesmo assim acidentalmente, num episódio constrangedor nesse mesmo ano, aos 17. Tarde? Só fui perder a virgindade na faculdade, mesmo assim depois da metade. Nunca fiz sexo com uma mulher.

Eu não dançava nas festas. Eu não ficava com ninguém. Eu não tinha assunto, exceto coisas de escola. Eu não tinha videogame. Eu não tinha uma bicicleta legal. Eu não tinha amigos. Eu não tinha uma turma.

Eu era afeminado para os padrões de então (hoje, nem tanto). Chamavam-me de viado. Eu me apaixonei pelo bonitão que namorava uma colega. Eu ficava reparando os caras jogarem futebol sem camisa na hora do recreio e alguns perceberam. Só tinha amigas mulheres e me sentia culpado por isso. Tinha vergonha.

No dia que percebi que era gay, chorei.

Só fui ter paz de espírito quando finalmente fiquei com o primeiro cara. Beijo magnífico. Lembro-me dele até hoje. Quando fiz sexo pela primeira vez, foi mais que um pênis que penetrou em mim, foi toda uma nova vida. Foi todo um longo processo de recuperação da auto-estima e, principalmente, de mudança de valores. Foram-se os paradigmas cristãos heterossexuais. Acabou-se a culpa e a dor.

De vez em quando, esses sentimentos ruins assaltam-me novamente. Preciso controlá-los sempre.

Aos homens que conversaram comigo e me ajudaram nessa fase, agradeço imensamente. Aos que ainda por cima me deram prazer sexual, agradeço mais ainda (como era bom!). Aos meus novos amigos, inestimáveis e inesquecíveis, amo todos. Aos amantes e namorados, tudo valeu a pena.

Pois tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Segunda-feira, Abril 16, 2007

Tá ficando difícil

Depois de muito trabalhar em prol de, consegui finalmente um encontro com um paquera há muito desejado. No sábado, lá fui eu ao apartamento dele, cueca nova, barba feita e sorriso nos lábios.

Pois bem, lá chegando, ele estava, no alto de seus 29 anos, assistindo a um DVD da Cher e fazendo uma performance imitando-a.

É bem sucedido, tem puta apartamento nos Jardins, corpão, muitos amigos, sociável, bem relacionado. Não é (era...) afeminado.

Nada contra a Cher. Acho que as pessoas têm de curtir aquilo que gostam.

Saí de lá com uma desculpa e fui correndo para o teatro, eu que passei a manhã toda tentando ler Proust no original.

Quinta-feira, Abril 12, 2007

Paraíso tropical

Na Capricho, o novo corpo de Bruno Gagliasso, malhado para aparecer de sunga na novela das 21h.

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Quarta-feira, Abril 11, 2007

Inveja

Vendo fotos de rapazes malhados na internet, morro de inveja. Eles estão sempre sem camisa, têm um monte de amigos, vão sempre às baladas, viajam muito...

Dá a impressão de que são felizes.

Quinta-feira, Março 29, 2007

Rafa Bauer escreveu:

Hoje é meu aniversário de 12 anos de academia. No dia 5 de março de 1995, logo depois do Carnaval, eu resolvi mudar meu corpo e enfrentei vários medos e vergonhas íntimas. Eu era magro, muito magro. Com 15 anos e 1,73m de altura, eu pesava 47 quilos. E aliado ao início relativamente precoce da puberdade, eu me escondia debaixo de roupas e mais roupas, enormes, largas, para esconder meu corpo, do qual eu morria de vergonha.

Um dia resolvi enfrentar meu medo e minha vergonha e fui para a academia. Ao lado daqueles caras gigantescos levantando trocentos milhares de quilos, eu era uma varetinha que mal conseguia levantar a barra. Mas eu me disciplinei e ia 5 vezes por semana. Logo eu já estava levantando alguns pesinhos, e depois, alguns pesões. Em dois anos, ganhei quase 20 quilos de massa muscular. Sem bombas, nem suplementos alimentares, só na musculação e alimentação - e mantenho essa rotina até hoje, não tomo esses "aminoácidos" e sequer esses "shakes" hiperprotéicos.

Não quero ser musculosão, basta ter o corpo em forma, e posso dizer que estou satisfeito. Continuo malhando muito, de 4 a 6 vezes por semana, mas faço isso porque já me viciei, e não porque quero ficar maior do que estou. E agora um novo hábito: estou malhando de manhã. Acordo todos os dias por volta das 7 horas e vou para a academia.

Bom, é isso, parabéns para mim e pratiquem esportes também, escolha uma que seja mais a sua cara. Porque não temos que cuidar somente do espírito, mas do corpo também!

Quinta-feira, Março 22, 2007

Divisões

Os homens que malham podem ser divididos em três categorias:

1) os que preferem volume, massa muscular;

2) os que querem ser definidos e ter barriga tanquinho;

3) os que malham só para manter a forma.

Eu gostaria de estar em uma das duas primeiras categorias, mas não tenho disciplina com alimentação para freqüentar o segundo time, o dos secos, muito menos a força dos primeiros, que exibem bíceps de 40 cm e levantam no supino mais de 40 kg de cada lado.

Mas é sonho. Vida é sonho, como diria Calderón de la Barca. Só me resta, portanto, a última categoria.

Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

Não serve para mim

Lendo sobre suplementos alimentares, vejo que existe um novo na praça, o NO2, já uma espécie de coqueluche entre os garotos de academia. Promete maior bombeamento de sangue nos músculos por conta de um ingrediente, o óxido nítrico, o que mataria dois cajados numa coelhada só: ao levar mais nutriente para o músculo, não só o alimentaria mais, favorecendo o crescimento, como daria mais força para executar os exercícios como também ajudaria numa recuperação mais rápida.

O mimo custa em torno de R$ 150 nas lojas de alimentos especiais para atletas para um pote com 160 tabletes.

Quem testou diz que o NO2 tem um efeito colateral: o aumento da libido. Alguns citaram ereções mais potentes, seja em pênis mais rígidos ou ejaculações mais distantes e com mais sêmem. Seria por conta do tal "bombeamento sangüíneo" extra.

Li no blog do BiduSurf que ele está se tornando vigorexo depois que começou a tomar o dito, tamanha a força e disposição que está para malhar. Está com "fome de músculos", segundo se diz.

Eu não posso nem pensar em experimentar, pois me acabaria de tanto masturbar com o aumento da libido.

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Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

Na bagaceira

Fazer academia de manhã bem cedo tem um problema grave, pior do que acordar às 6h: não há homens suculentos dando sopa. Os melhores freqüentam o local à noite.
Com a volta às aulas, tive de mudar dolorosamente o horário e abandonei os deuses para ficar com os gatos secos madrugadores.
À noite era um delírio de homens magníficos, não só os corpões, mas as barbas, vozes grossas, rostos lindos, peitos peludos, roupas de marca, jeito de homem. Coisa de louco. Fazer os 40 minutos de esteira que a gente nunca faz tornou-se um prazer. E o que é melhor: procurar os donos daqueles corpos perfeitos no orkut para vê-los sem camisa.
Alguns eram tão bonitos, mas tão belos, que era impossível tirar o olho dos braços, por exemplo, ou das costas. Trapézios realmente desenvolvidos, ombros definitivamente largos, bíceps a granel. E o que é melhor, gente realmente disposta a malhar firme, pesado. Muitos, mas muitos mesmos conseguem levantar mais de 40 kg no supino, ou até mais. É um festival de gritos e sussurros.

Agora, pela manhã tem uns quarentões barrigudos que vivem puxando conversa, uns adolecentes feinhos, ninguém realmente pega pesado. Malhar perna é uma tristeza, pois as mulheres não saem dos aparelhos. No banheiro, vazio, nada daquela sensação de paraíso outrora sentida.
Até os professores pela manhã são mais fracotes. Nada como a beleza lancinante do coordenador físico, que só vai à academia à noite, de regata, para provar que sim, a perfeição existe.

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Contribuições

O blogueiro Alessandro Martins, do Paraná, dá importantes contribuições ao famoso hábito do auto-prazer.

Segundo o cidadão, "provável que não exista palavra mais feia que punheta. Talvez só perca para siririca, quando o ato se refere às mulheres", pois para ele são "palavras horríveis de verdade, feias pra cacete" (sic).

Nomes que ele considera pedantes ou afetados demais: "auto-indulgência" ou "auto-carícias". Criativos e poéticos seriam "Rua da Palma n.º5" ou "Maria-Cinco-Dedos". Nem tanto: "descabelar o palhaço" e "socar a gabiroba". Ele usa "esfolar o bichinho".

Masturbação é "essa palavra horrorosa", pois "está para o que ela descreve como a palavra cópula está para uma boa trepada".

É claro que nós homens também podemos nos masturbar na cama, mas sempre há o risco de se fazer bagunça. Há truques. Muitos costumam usar uma meia como o esconderijo e o depósito de toda a sua paixão, devidamente conduzida a seguir para o cesto de roupas sujas, prática da qual surge a pergunta:
- Mas de onde esse menino está sujando tanta meia?
De minha parte, eu tinha outro truque. No momento certo, colocava uma folha de caderno sobre a barriga e pronto. Serviço limpo, direto no lixo.
Esse negócio de meias nunca me convenceu. Afinal, era minha mãe quem as lavava. E, em se tratando de porra e mãe, sempre preferi as duas coisas bem distantes uma da outra.